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#5 Assunto do mês: Julho sem plástico

Em 2023, a ONU adotou “Soluções para a poluição plástica” como o tema global do dia do meio ambiente. Com a campanha anual do Julho Sem Plástico também evidenciando esse assunto, resolvemos adicioná-lo como um dos blocos de atuação da Net Impact durante o mês de julho.


O plástico é um dos resíduos mais usados do mundo: é ele que lota aterros sanitários e polui os mares. Só em 2021 foram geradas 139 milhões de toneladas de resíduos plásticos de uso único, e estima-se que mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente. Não é novidade que um dos maiores problemas ambientais mundialmente é o uso desenfreado desse material, principalmente os não-recicláveis.


Estima-se que a maioria dos plásticos demore mais de 100 anos para se decompor, mas há alguns tipos que demoram até 400 anos. Já foram encontrados materiais dos anos 60 encontrados nos oceanos. Ainda não se sabe o seu comportamento na natureza no longo prazo, mas já sabemos sobre os microplásticos e que eles estão alterando o ciclo geológico da Terra. E esse tempo de permanência na natureza afeta diretamente a biodiversidade.


91% do plástico global acaba nos oceanos, e isso tem um impacto brutal na vida marinha: estima-se que pelo menos 15% das espécies estejam em extinção devido à morte dos animais por ingestão de plástico, que “corta” o ciclo reprodutivo das espécies, impede o equilíbrio da população nos oceanos, e causa fome e asfixia. Hoje, cinco das sete espécies de tartarugas marinhas correm o risco de sumir dos oceanos. Até 2050, 99% das aves terão ingerido plástico.


A poluição por plástico nos oceanos é um tópico de extrema importância em relação à biodiversidade e ao combate às mudanças climáticas. Os oceanos funcionam como um regulador do sistema climático, reduzindo as diferenças de temperatura e criando um ambiente favorável para a vida em quase toda a superfície global. Por esse motivo, a interação oceano-clima é regularmente monitorada pelo IPCC e possui um relatório dedicado especialmente ao assunto: “O Oceano e a Criosfera em um Clima em Mudança”, de 2019. O relatório de 2019 mostra quão crítica é a situação, e, hoje, sabemos que ela está sendo agravada devido à pandemia e o uso único e desenfreado do materiais plásticos, desde a área da saúde, até a comida do dia-a-dia.


No modo de consumo atual, aproximadamente metade do plástico produzido é projetado para ser usado apenas uma vez. Esse panorama é agravado quando percebemos que menos de 10% da produção total é reciclada, e que entre 19 e 23 milhões de toneladas acabam em lagos, rios e mares todos os anos, conforme estimativa.


O microplástico gerado por todo esse montante que chega aos oceanos já pode ser encontrado nos alimentos, água e ar. Embora os seus efeitos no corpo humano ainda sejam desconhecidos, já há estudos que indicam problemas pulmonares em decorrência desse resíduo.


Entretanto, as grandes corporações responsáveis pela difusão do plástico, ainda não tratam o assunto com a seriedade necessária. O compromisso com os lucros dos investidores faz com que não haja ações em larga escala para a resolução do problema, embora ele seja bem conhecido há décadas. Por isso, muitas vezes essas empresas recorrem ao greenwashing, uma estratégia de comunicação que tem como objetivo desviar o foco de determinado impacto negativo perante o ambiente e sociedade através do enaltecimento de outras ações que são pouco efetivas para resolução real do problema, ou divulgar uma estratégia corporativa de longo prazo voltada à sustentabilidade que na prática não condiz com as atitudes da empresa.


Dada a emergência para redução do uso plástico, as estratégias devem estar concentradas principalmente no setor produtivo, e não nas atitudes individuais. O consumo das pessoas têm um impacto significativo,entretanto, é necessário entender que muitas vezes os produtos plásticos são a única opção, ou as alternativas são (ainda) muito caras para serem adotadas em larga escala. Isso não quer dizer que não devemos mudar o nosso comportamento: pelo contrário, devemos reduzir a demanda por esses produtos para, talvez, pressionar as empresas.


A crise da poluição plástica exige ação imediata. Devemos incentivar mudanças no setor produtivo, pressionar as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis e reduzir a demanda por plásticos de uso único. Somente através de uma abordagem colaborativa e responsável poderemos preservar nossos ecossistemas marinhos e garantir um futuro livre da ameaça do plástico.


Neste mês, nos propomos a abordar o assunto sob diversas perspectivas. Nas nossas redes sociais daremos sugestões de filmes e séries para entender sobre o problema da poluição plástica, uma série de dicas para reduzir o uso de plásticos trazendo dicas fáceis até as mais difíceis, além de lives discutindo o tema. Siga nosso instagram, facebook e youtube para nos acompanhar.


Esse texto faz parte da série Assunto do Mês, publicação mensal sobre um tema relacionado à sustentabilidade. Se você tiver alguma sugestão de assunto nos envie pelo contato@netimpactpoa.org ou pelas nossas redes sociais.


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