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#1 Assunto do mês: Mobilidade Urbana parte I

Nesta semana, iniciamos a nossa série “Assunto do Mês”, a proposta é abordar tópicos relevantes da sustentabilidade de acordo com o calendário de datas socioambientais e que acompanham a agenda da NI Poa. Na primeira segunda-feira do mês será publicado o texto completo no nosso site e os principais pontos serão postados em nossas redes sociais, também às segundas-feiras, com informações adicionais.


E, neste mês, o assunto é mobilidade urbana. O Maio Amarelo tem a proposta de iniciar um debate e chamar a atenção da sociedade para o alto índice de acidentes no trânsito. Entretanto, precisamos olhar para as etapas anteriores e discutir a prevenção de uma forma sistêmica, a partir da temática sobre mobilidade urbana.


A mobilidade urbana trata-se do “deslocamento das pessoas e bens dentro do espaço das cidades, mediante utilização de veículos, das vias públicas e da infraestrutura disponível”. Dessa forma, para trabalharmos a mobilidade urbana, é preciso considerar a circulação de veículos, as pessoas, a organização territorial e a sustentabilidade das cidades. E para isso, utilizamos 4 pilares para a construção de uma política de mobilidade urbana eficiente:

  1. Integração do planejamento do transporte com o planejamento do uso do solo: o desenvolvimento urbano e a mobilidade devem minimizar o uso do espaço nas ruas e de estacionamento por pessoa, e ao mesmo tempo maximizar o uso de cada veículo, incentivando cidades compactas, mais acessíveis, viáveis e sustentáveis.

  2. Melhoria do transporte público de passageiros: melhoria das frotas de transporte público para veículos elétricos se possível, ou para veículos que emitam menos gases poluentes e de efeito estufa, acelerando a transição para o uso de veículo de emissão 0, além de cobrar tarifas justas para os meio de transporte público ou compartilhado.

  3. Estímulo ao transporte não motorizado: planejamento e implantação de espaços restritos para uso de veículos não motorizados, como bicicletas, patinetes, skates dentre outros.

  4. Uso racional do automóvel: como o automóvel é responsável por aproximadamente 45% da emissão de CO2, o incentivo ao uso do transporte coletivo, compartilhado, aos sistema de aluguel de bicicletas e patinetes se tornam protagonistas na constituição desse pilar.


O problema é que esse movimento para construção dessa agenda ainda caminha a passos lentos, assim, campanhas como o Maio Amarelo são tão importantes para a construção de políticas e de responsabilidades intrínsecas na sociedade. Esse ano a iniciativa celebra 10 anos e traz como tema "No trânsito, escolha a vida!".


Anualmente, 1,35 milhão de pessoas no mundo morrem no trânsito. Os quatro principais fatores de risco de lesões e mortes no trânsito são: excesso de velocidade, dirigir alcoolizado, não usar capacete e cinto de segurança. A redução desses fatores poderia prevenir entre 25% a 40% dos óbitos no tráfego no mundo todo e quanto maiores os esforços na implementação e fiscalização, maior o percentual de redução de acidentes.


As intervenções para reduzir o excesso de velocidade, como a implementação de radares, poderiam evitar mais de 347 mil mortes. Combater a soma de direção e embriaguez por meio de ações de conscientização, juntamente ao aumento da fiscalização salvaria 16 mil pessoas. Além disso, de 121 mil e 51,7 mil óbitos não ocorreriam com a aprovação e a aplicação de normas sobre o uso de cintos de segurança e capacetes para motociclistas.


No Brasil, por exemplo, somente a utilização do cinto pouparia 5,8 mil vidas por ano. Por aqui, os acidentes de trânsito são a segunda maior causa de morte não natural, mantendo-se em quarto lugar entre os países com maior número de mortes no trânsito. No país, as principais razões de acidente são: Excesso de velocidade; Condução sob influência de álcool e outras substâncias; Não utilização de capacetes para motociclistas, cintos de segurança e sistemas de retenção para crianças; Direção distraída; Infraestrutura viária insegura; Veículos inseguros; Atenção inapropriada após acidentes, Cumprimento insuficiente das normas/leis de trânsito. Somente de janeiro a março de 2023, 77% dos acidentes ocorridos tiveram como causa escolhas erradas por parte dos motoristas, como ultrapassagens indevidas, velocidade incompatível e ingestão de álcool, de acordo com dados da PRF.


Os acidentes de transporte terrestre são uma questão relevante de saúde pública, que requer políticas que envolvam ações de educação e segurança no trânsito como uma responsabilidade compartilhada que demanda cooperação, inovação e compromisso com a prevenção dos acidentes de trânsito. Deve-se efetivamente discutir o tema, engajar-se em ações e propagar o conhecimento, abordando toda a amplitude que a questão do trânsito exige, nas mais diferentes esferas.


Essa é a parte I sobre mobilidade, na próxima semana iremos discutir sobre a oferta de transporte coletivo e estímulo ao uso de não motorizados, e onde a mobilidade urbana e a sustentabilidade se encontram, para além da discussão de emissões de gases do efeito estufa e segurança no trânsito.



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