O que é sustentabilidade, afinal?

Definir a palavra “sustentabilidade” é um exercício fundamental para qualquer terráqueo que almeje contribuir com a perenização da humanidade nesse planeta. É uma proposta interessante para exercícios grupais e para reflexões individuais, que demanda, sobretudo, humildade. Não se pode proferir uma definição desse vocábulo com a intenção de fazê-la resistir ao tempo, porque o conceito evolui rapidamente. Também não é possível resistir às discussões, porque as mentes, leitoras em contextos diversos, entendem os desafios da civilização de maneiras muito distintas.

Eu gostaria, então, de apresentar as principais forças que influenciam a minha compreensão de o que é sustentabilidade.

O sentido literal
Um primeiro passo aconselhável para a reflexão é isolar a palavra. Uma coisa sustentável é algo que se mantém, que existe durante um longo período, talvez eternamente. Essa enunciação provoca, quase que automaticamente, o questionamento sobre o que é esse objeto que permanece intacto.
Alguns diriam que o planeta é que merece todo o zelo de seus habitantes, mas eu, mais modesto, acredito que estejamos falando da humanidade. Afinal, nós só existimos em uma última e pequena fração da história da Terra.

Ética
Admitindo-se que a questão é meramente humana, é natural que pensemos nas condutas individuais que levam (ou atrapalham) ao sucesso de nossa espécie. A moral encarrega-se dessa tarefa.
Um conceito particularmente importante na relação entre ética e sustentabilidade é o utilitarismo, já que a sustentabilidade humana depende do impacto das ações individuais no bem-estar (utilidade).

Desenvolvimento Sustentável
A noção de desenvolvimento sustentável é fundamental para as concepções mais recentes de condutas que visam a garantir a permanência da humanidade no planeta Terra. Cita-se, normalmente, a definição que surgiu em 1987, em um relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento:

Desenvolvimento Sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades.

Dos fóruns internacionais também vieram os três pilares do desenvolvimento sustentável: econômico, social e ambiental. A partir deles, importantes soluções puderam aparecer. A ideia de triple bottom line, ou seja, a mensuração de resultados organizacionais a partir dos três critérios fundamentais, é fruto dessa delimitação.
Eu incluiria, entre os pilares da sustentabilidade, a dimensão cultural, explorada de maneira extremamente competente em Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável, de Ignacy Sachs.

O declínio da civilização

Outro livro (este disponível na Internet) que considero extremamente importante para o desenvolvimento do conceito de sustentabilidade é o Plano B, de Lester Brown.
A primeira metade da obra trata dos grandes problemas das civilizações atuais, especialmente daqueles causados por alterações climáticas e pela escassez de recursos naturais. Um exemplo simbólico é o aumento do número de refugiados por razões ambientais, como secas, inundações e desertificações. As pressões geradas por essas problemáticas passam pelo aspecto social e chegam ao político, causado o enfraquecimento do Estado e o declínio da qualidade de vida em diversas partes do planeta.
A segunda parte do livro diz respeito às soluções para os nossos desafios. Questões como erradicação da pobreza, fomento à energia renovável e segurança alimentar são abordadas de maneira concreta e consistente.

Contribuir com essas soluções e, mais ainda, com a evolução dos paradigmas socioculturais necessária para que elas sejam postas em prática. É isso que me move. Confio, sobretudo, na riqueza do debate e na importância da evolução de todos os conceitos que apresentei. Somente assim será possível fazer emergir um cenário positivo para a humanidade, com menos guerras, tragédias e sofrimento.

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